terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Sobrevivência policial no confronto armado

Sobrevivência policial no confronto armado: você está preparado?

             As organizações criminosas no Brasil cada dia se tornam mais presentes no nosso dia a dia, não podemos fechar os olhos, o problema é real, as quadrilhas estão cada vez mais especializadas. O crime tem sido uma doença que acompanha o crescimento nas cidades e se relaciona diretamente com a situação econômica de cada cidadão. Atualmente, os crimes contra a vida e patrimônio tem crescido assustadoramente, outro alvo principal da criminalidade são os vários assassinatos de profissionais de segurança.

 
Já era de suma importância todo o profissional de segurança pública estar atento e preparado no seu cotidiano. Porém nos cursos de formação e de aperfeiçoamento nunca comentaram como o profissional deve se portar no horário de folga.
 
        Agora nos dias atuais surge uma nova ameaça, o ponto fraco na vida destes profissionais. No horário de folga muitas das vezes acabamos relaxando a nossa segurança.


Outro fator importante e decisivo é que temos o habito de só treinar com o uniforme, treinar em situações rotineiras referente ao serviço, agora quantos já treinaram com sua arma particular? Já treinou com seu coldre a paisana? São inúmeras situações que dificultam a vida do GCM, policial civil ou militar  e agentes penitenciários.



Segundo o APF e instrutor de armamento e tiro Humberto Wendling (2011) “



O preparo mental consiste em visualizar e ensaiar mentalmente suas ações de modo a planejar reações em função das ações dos criminosos. Se você está armado e vivencia uma situação de risco, há três coisas que não podem falhar: você, a arma e a munição. Se você falhar, sua arma poderá ser usada contra você e sua família. Se a arma ou a munição falhar, você estará em apuros já que talvez não tenha tempo ou frieza para sanar o problema, principalmente num conflito de vida ou morte”

 

           Temos que redobrar a atenção, se patrulhar durante o serviço com o companheiro de viatura já é difícil, imagine estar atento 24 horas do dia, na maioria dos casos duas situações chamam a atenção a primeira e que o profissional foi surpreendido na chegada ou saída de casa e a outra situação é durante o horário do bico. São duas situações que a reação deve estar condicionada. A ideia e desconfiar de tudo,  aprendi em uma aula de técnicas operacionais que o profissional tem que “ver pelo em ovo de galinha”.


O Cel Nilson Giraldi afirma que : 
“ não basta o policial saber o que tem que fazer; tem que estar condicionado a fazer” “Quanto mais bem preparado o policial estiver para usar sua arma, menos necessidade sentirá em fazê-lo; mal preparado verá nela a solução para todos os problemas” .........Não basta saber atirar; é preciso saber quando atirar e saber executar procedimentos, isto porque, na quase totalidade das vezes, procedimentos, e não tiros, é que preservam vidas e solucionam problemas”.

 

Sabemos que a segurança que a instituição oferece é limitada, o apoio você terá somente durante o horário de serviço, agora depois do serviço só depende exclusivamente de você. É difícil ficar 24 horas do dia atento, porém o mais importante é adotar procedimentos que irão reduzir as chances de ser surpreendido.



Procure estar informado sobre novas técnicas policias e treine com frequência. Permaneça atualizado, o melhor possível, nas técnicas policiais e treine regularmente. Em muitas corporações existem inúmeros cursos de táticas defensivas, de sobrevivência, armamento e tiro. Agora se a instituição ou corporação não se preocupa, você deve se preocupar, estamos falando de sobreviver, é a sua vida que está em risco.! Não tem dinheiro para custear um curso, compre livros, pesquise por conta própria, converse com outros colegas de trabalho, filtre as experiências do companheiro “antigão”. Procure ter contatos com instrutores de outras corporações, faça um intercambio, quanto mais você aprende, estará se aperfeiçoando e irá exercer melhor  a sua atividade.
   Pare agora por alguns minutos e pergunte a si mesmo: O que estou fazendo para melhor minha segurança? Como anda meus procedimentos durante o serviço? meu equipamento está em condições ? Estou meio enferrujado? A última vez que treinei foi no curso de formação? Avalie as situações de risco ocorridas no passado que você participou ou aquela ocorrência que alguém comentou ou passou na TV.



Faça um estudo de caso, tudo isso é uma ferramenta de aprendizado e conhecimento que irá ajudar muito no seu cotidiano.
Tenha em mente que durante seu serviço a qualquer momento você poderá entrar em um confronto armado, e a possibilidade de atingir e matar alguém é grande, você está preparado ? Acredite nesta possibilidade e se isso acontecer não hesite um segundo, faça o  que aprendeu! É difícil, porém mantenha-se no estado de alerta. Aprenda com os erros de outros policiais e ocorrências noticiadas no jornais, infelizmente” na segurança nos aprendemos com os erros dos outros ou irão aprender com o nosso.”

 
Com base no novo cenário, segue algumas dicas para estar colocando em prática:
 
DURANTE O SERVIÇO

      Procure treinar o mais próximo da realidade possível e em condições de estresse;

      Sob pressão, você instintivamente agirá de acordo com aquilo que treinou.

      Treino exige tempo e dedicação e por mais simples que sejam as técnicas e procedimentos de sobrevivência, elas exigem treinamento.

      Mantendo um bom condicionamento físico, planejando e treinando adequadamente você evitará erros cometidos por outros que já morreram e aumentará em muito sua chance de sobreviver num confronto armado;

      Ao iniciar o serviço, procure fazer um breve treinamento de sacar e coldrear sua arma;

       Verifique sua munição;

       Faça um check-list do equipamento;

      Durante o deslocamento no atendimento de uma ocorrência, o profissional deve imaginar o pior cenário, desconfie de tudo.

 

DURANTE A FOLGA/PAISANA


- Ao chegar em casa, verifique se não existe pessoas em atitudes suspeitas;
- Antes de entrar de uma volta no quarteirão;
- Ao sair do trabalho verifique se não está sendo seguido;
- Procure orientar sua família quanto aos comentários sobre o seu trabalho e o que você faz;
- Quanto menor for o número de vizinhos sabendo o que você faz melhor;
- Procure não sair fardado ou chegar de viatura na sua residência;
- Seja discreto quanto ao seu trabalho;
- Ao guardar o carro na garagem, manobre o mesmo de ré, no período noturno ligue os faróis altos;
- Antes de sair de casa, observe a rua veja se não existem pessoas e veículos suspeitos;
 Treine regularmente em um clube de tiro ou estande;
- Conheça bem sua arma, os tipos de panes, os tipos de munições que está utilizando;
- Realize um treinamento com o seu coldre;
- Realize um treinamento constante “em seco”;
- Realize um treinamento com roupa a paisana;
- Durante o seu horário de folga, mude sua rotina, não fique em bares próximos a sua residência;
- Mude a rotina, não frequente o mesmo lugar sempre;
- Caso a corporação forneça, utilize sue colete também no “bico”.


* Siderley Andrade de Lima, GCM de Jandira, exerceu a função de Supervisor responsável pela coordenação de cursos e treinamentos, ex-subcomandante. É consultor de segurança patrimonial, graduado do curso de Gestão em segurança privada pela Universidade Paulista, Diplomado em Política e Estratégia pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, idealizador do blog sobre segurança http://gestorsegurancaempresarial.blogspot.com/; Colunista do site de segurança www.dicaseg.com; Membro da ABSEG- Associação Brasileira de Profissionais de Segurança, autor dos livros:  “Manual Básico do Instrutor de Armamento  Tiro”, “ Sobrevivência Policial no Confronto Armado e “ Manual de Segurança Preventiva “.
siderleyandrade@yahoo.com.br

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